As chuvas no Rio e os palpites do Minc

Sempre que ocorrem catástrofes anunciadas – como a das chuvas que causaram mais de 200 mortes no Rio de Janeiro nos últimos dias surge, de imediato, a busca de culpados. Vou me arriscar a também dar uma opinião sobre esse problema tão grave que ceifou centenas de vidas, destruiu tantos lares e emocionou a todos os brasileiros.

Chuvas fortes no verão são anteriores à fundação da cidade do Rio de Janeiro – parece-me óbvio. Mas há de se perguntar: por que os temporais anuais sempre apanham de surpresa a cidade e suas autoridades? Palavrinhas mágicas esquecidas neste episódio: planejamento urbano, firmeza dos governantes para tomar as medidas necessárias e que nem sempre agradarão à população. Desde Carlos Lacerda se fala em remover moradores que vivem em áreas de risco. E por que não se faz?

Perder vidas por causa de um fenômeno natural previsível e periódico me parece algo irracional. Sem urbanização de favelas e com a vertiginosa ocupação irregular das encostas no Rio nas últimas três décadas, como não responsabilizar diretamente todos os governantes desse período e seus  respectivos secretários de meio-ambiente e de saneamento? Quem não lembra do então vice-governador Darcy Ribeiro, que na década de 80 estimulou esse estado de coisas com sua famosa frase “favela não é problema: é solução”. E o que dizer de Leonel Brizola, em cujo governo a favelização explodiu em território carioca?

Também não dá para esquecer de Carlos Minc, que antes de ser ministro ocupava a função de secretário de meio ambiente do Rio. O homem que não conseguiu se mover para conter tal tragédia anunciada foi o escolhido por Lula para… cuidar da Amazônia e suas muitas dificuldades, especificidades e imprevisibilidades!!! O resultado todos vimos.

Fico à vontade para fazer essa crítica sobre a tragédia do Rio de Janeiro porque os apressados não poderão me acusar de estar me aproveitando politicamente da situação. Além não ter essa prática de me aproveitar de tragédias (atitude que considero sinceramente lamentável), acrescente-se que fiquei bastante sensibilizado com o sofrimento dos moradores do Rio – cidade da qual gosto muito -, não sou votado no Rio e não tenho adversários políticos naquele Estado.

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