Um parecer oficial contra Belo Monte

O jornal O Globo teve acesso exclusivo a uma nota técnica elaborada por duas estatais de energia do grupo Eletrobras – Furnas e Eletrosul – indicando que a construção da usina de Belo Monte era um “mau negócio”. E, mesmo assim, o governo federal insiste em bancar a usina.

Começo a me questionar sobre essa obsessão (hoje, Lula ficou muito irritado e ameaçou construir “sozinho” a hidrelétrica) e a quem interessa construir a usina a tal custo, já que nessa nota técnica estima-se que Belo Monte poderá chegar a R$ 28,5 bilhões, quase 50% a mais do que afirma o governo!

O documento – uma análise do edital da obra, das condições de mercado e dos acordos entre as empresas que formavam o consórcio Belo Monte Energia – alertava que não era seguro para as estatais participar do leilão. Vale lembrar, a proposta vencedora é encabeçada por outra subsidiária da Eletrobrás, a Chesf, que participa com nada menos que 49% do total e deverá receber a companhia da Eletronorte (mais 30%, no mínimo). Tudo isso sem contar que o BNDEs financia 80% dos custos totais.

Pequena lucratividade, riscos financeiros da obra, do projeto e de operação foram apresentados como problemas que tornariam a usina pouco viável. O documento interno estima que a obra custará R$ 28,5 bilhões — muito acima da previsão oficial de R$ 19 bilhões. “Mas isso nem é surpresa, já que todos os analistas consideravam os números do governo subestimados”, diz a reportagem de Henrique Gomes Batista. E prossegue:

“O que assustou os analistas das estatais foram os outros números do empreendimento. A taxa interna de retorno (a chamada TIR, que demonstra a margem de lucratividade de uma atividade financeira), foi estimada em apenas 3%, considerando riscos extras de questões ambientais e fundiárias de R$ 2,7 bilhões”, revela a reportagem.

A matéria aponta que a nota advertiu: mesmo que estes custos extras não se confirmem, a lucratividade do negócio é baixa: 4,4%. O valor é quase a metade da taxa prevista pelo governo, de 8%, que forçou essa margem às pressas, pouco antes do leilão, para tentar o sucesso da concorrência, visto que a previsão anterior era bem mais generosa e em linha com grandes empreendimentos de infraestrutura, com uma taxa de 12%. Sobre isso, fiz um post mais cedo!

De maneira geral, os técnicos das duas estatais indicaram diversos problemas no projeto baseado na proposta do governo. Faltaram estudos geológico-geotécnicos, diz a nota.

Além disso, teria havido subavaliação dos custos ambientais, falta de recursos para seguros e uma precificações mais correta dos serviços de remoção da população local. Isso indica que tanto o governo como os consórcios — estimulados pelas estatais — entraram no negócio de forma açodada.

A nota técnica foi elaborada no dia 18 de abril, dois dias antes do leilão.

Leia aqui a matéria na íntegra

Leia o editorial do jornal Zero hora sobre os impasses de Belo Monte

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3 Respostas to “Um parecer oficial contra Belo Monte”

  1. Carlos Macapuna Says:

    Porque que não foi divulgado antes do Leilão? Agora não adianta mais nada!

  2. nilsonpinto Says:

    Carlos, pelo que diz a matéria, o estudo é do dia 18 de abril – cinco dias atrás. Mas você tem razão: agora que as coisas estão feitas, pouco adianta….

  3. Carlos Macapuna Says:

    Bom dia deputado. Gostaria de saber como algum cidadão leva uma ideia ao governo. Há algum meio para isso?
    O Sr. poderia me dizer se esta ideia é utópica demais: http://estatuadebelem.blogspot.com/2010/04/estatua-de-belem.html

    Muito Obrigado.

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