A devastação em outros biomas

Reportagem do Correio Braziliense de ontem trouxe um levantamento feito pelo jornal que mostra que a política ambiental para Amazônia, foco do governo federal,  esqueceu outros biomas.

A matéria afirma que a decisão política do governo Lula de perseguir a redução do desmatamento da Amazônia, o maior e mais importante bioma brasileiro, custou o esquecimento e o avanço da devastação nos outros biomas que compõem a biodiversidade nacional. Isso sem falar no impacto social que foi a falta de uma estratégia para oferecer aos trabalhadores das serrarias ilegais uma forma de sobreviver dignamente. De nada adianta só fiscalizar, se não for oferecido ao homem amazônico um conjunto de alternativas de renda para que ele abandone a atividade de exploração ilegal da floresta.  

Até o ano passado, União e estados não sabiam a extensão das perdas no cerrado e na caatinga, o que começou a mudar — tardiamente — com o monitoramento via satélite da destruição nos dois biomas, a exemplo do que é feito na Amazônia desde 1988.

Mesmo sem a divulgação desses dados oficiais e atualizados sobre as perdas na Mata Atlântica, no cerrado, no Pantanal e nos Pampas gaúchos, o levantamento do Correio mostra que a redução do desmatamento da Amazônia implicou na devastação dos outros biomas, que passaram a abrigar a expansão da pecuária e das novas fronteiras agrícolas. As ONGs ambientalistas afirmam que a demora para fazer o monitoramento de todos os biomas brasileiros é “conveniente” para o governo, uma vez que se alia a expansão agropecuária à redução do desmatamento da Amazônia.

Afirma o Correio que entre 2002 e 2009, a perda de vegetação amazônica caiu mais de 65%, conforme os levantamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPA). Ainda assim, a Amazônia encolheu 131,4 mil km2 entre 2002 e 2008: a devastação equivale a quase 23 áreas do tamanho do Distrito Federal. No mesmo período, o desmatamento consumiu 115,3 mil km2 no cerrado, na caatinga, na Mata Atlântica e no Pantanal.

Traduzindo: o governo obteve êxito na iniciativa de reduzir o desmatamento da Amazônia (apesar de perdas elevadas persistirem) mas nos míseros 7% que restam de Mata Atlântica as perdas também seguem aceleradas: juntos, a Mata Atlântica e o Pantanal perderam 4,7 mil quilômetros quadrados de vegetação entre 2002 e 2008.

Em resumo: falta ao governo Lula tratar a questão ambiental de uma forma ampla, prestando atenção a todos os biomas do território nacional.

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