Procura-se um Estadista

estadistaO ministro Joaquim Barbosa, em palestra a estudantes universitários, criticou o Congresso Nacional por sua subserviência ao Poder Executivo. Também criticou os partidos políticos por serem “de mentirinha”.

Quanto à subserviência do Congresso ao Executivo, concordo integralmente e já me pronunciei sobre o assunto (leia aqui). No que se refere aos partidos políticos, o meu partido já se pronunciou dizendo que não se sente atingido pelas declarações do ministro.

A propósito, faço duas observações.

A primeira: nos países de regime parlamentarista costuma-se ter um chefe de governo (o primeiro ministro) e um chefe de Estado (rei ou presidente da República).

O chefe de Estado exerce um papel moderador, de estadista. Quando há uma querela entre os Poderes, ele chama à ordem os envolvidos. É o papel de conciliação.

No Brasil, onde o sistema é presidencialista, a chefe de Estado é também a chefe de governo.

A separação entre as duas funções, que já era difícil em tempos de normalidade, ficou ainda mais complicada depois que a presidente da República assumiu também a condição de candidata em campanha eleitoral. Nesse caso, a presidente perde a capacidade de mediar os conflitos e querelas entre os Poderes da República, que por isso têm se multiplicado nos últimos tempos.

A segunda observação é que o ministro Barbosa, como qualquer cidadão, tem todo o direito de fazer críticas ao Congresso Nacional, especialmente em um ambiente acadêmico.

Acho, porém, que seria muito mais apropriado se ele, como chefe do Poder Judiciário, se dispusesse, com a mesma veemência, a criticar e trabalhar para resolver as mazelas que inundam aquele Poder.

Afinal, não conheço um só brasileiro que considere que nosso Judiciário funcione à perfeição.  Pelo contrário, todos reclamam que nossa Justiça é lerda, cara, ineficiente e serve preferencialmente aos ricos. Tem, portanto, muito para consertar.

Mãos à obra, ministro!

Anúncios

Uma resposta to “Procura-se um Estadista”

  1. Eugênio Says:

    Parabéns, senhor Nilson Pinto! Depois de ler várias bobagens – inclusive em artigos acadêmicos – consegui um texto de alguém que não fugiu da escola e soube definir com precisão, que coisa fosse um estadista! Tristes trópicos, os nossos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: