Base esfacelada

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Painel de votações da Câmara mostra o esfacelamento da base de apoio do governo. Clique na imagem para ampliá-la

A redução do número de ministérios, proposta há tempos pelo PSDB e, agora, também defendida pelo PMDB, era algo que a presidente Dilma poderia ter feito naquele pronunciamento destinado a acalmar a voz que vinha das ruas.

Na ocasião, o clamor popular estava direcionado para a qualidade do serviço público. Logo, a resposta deveria ter vindo nessa linha. Ela poderia, naquela ocasião, ter anunciado o corte de uns dez ministérios e informado que os recursos economizados seriam transferidos, por exemplo, para melhorar os transportes coletivos.

A presidente também poderia ter orientado a base do governo para aprovar a regulamentação da Emenda 29 (leia aqui), que estipula percentuais mínimos a serem destinados pelos entes federativos para a área de saúde. Atualmente, estados e municípios tem limites mínimos para aplicar na saúde, mas não o governo federal.

Estas seriam medidas de quem ouviu e entendeu a voz das ruas, mas a presidente não fez isso. Em vez de enfrentar as questões apresentadas pela população, ela resolveu reformulá-las, criando as fantasias da constituinte e do plebiscito, para se livrar do problema jogando a batata quente para o outro lado da rua – precisamente no colo do Congresso Nacional. Com isso, a presidente não só perdeu a chance de responder à altura como também arranjou novos problemas, principalmente com seu maior aliado, o PMDB.

O PMDB ficou em situação desconfortável por duas razões. Primeiro, porque as propostas formuladas não foram discutidas com Michel Temer, seu principal representante no governo. Trata-se de uma enorme desconsideração, porque Temer, além de vice-presidente da República e maior liderança do PMDB, é professor de Direito da USP e respeitado constitucionalista.

Segundo, porque a presidente recebeu as críticas dirigidas ao Executivo, embrulhou-as e lançou-as no colo do Legislativo, que é dirigido, tanto na Câmara como no Senado, justamente pelo PMDB!

Ou seja: os peemedebistas não apenas foram desconsiderados, como também foram afrontados.

Por isso, é natural a insatisfação do PMDB. A expectativa geral era com a extensão da reação. E ela veio, alimentada ainda mais pela queda de popularidade da presidente da República.

Se o PMDB, intrinsecamente envolvido com o governo, reagiu assim, imagine o que pensam os demais partidos que têm papel menor no Executivo federal.

O que está posto hoje é que a base do governo está esfacelada. E as votações que aconteceram esta semana, tanto no plenário como nas comissões técnicas da Câmara, refletem isso: PT e PC do B foram para um lado, todos os demais partidos da base foram para outro.

Se os cacos desse jarro quebrado podem ser novamente colados, só o tempo dirá.

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