A revolução de 1932 no Pará

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Walter Pinto

Semana passada – mais precisamente no dia 9 de julho – os paulistas comemoraram sua festa maior: a revolução constitucionalista de 1932 (leia aqui). O dia, é claro, foi feriado estadual, para poder dar margem às festividades, que incluíram bandas de música, shows, desfile militar, inaugurações, discursos diversos e uma extensa programação cívico-cultural. A data, de tão importante, dá nome a uma das principais ruas da capital paulista, a Avenida Nove de Julho.

Quem pesquisar nos livros de história vai descobrir que a Revolução Constitucionalista durou cerca de três meses (de 9 de julho a 3 de outubro de 1932) e pretendia derrubar o governo de Getúlio Vargas, instalado na presidência da República pela Revolução de 1930, que havia afastado do poder o então presidente Washington Luis.

Vai descobrir, também, que ela teve como palco principal o Estado de São Paulo, onde praticamente toda a população se envolveu, e uma participação menor do Rio Grande do Sul, Mato Grosso (naquela época ainda não dividido) e Minas Gerais. A revolução acabou derrotada pelas forças leais a Getúlio Vargas, após a morte de mil combatentes federais, um número pelo menos três vezes maior de paulistas e duas centenas de gaúchos, mas abriu caminho para a aprovação da constituição federal de 1934.

O que os livros de história (ainda) não contam é que a revolução constitucionalista de 1932 teve um capítulo emocionante, desconhecido pela maioria dos brasileiros , ocorrido no Estado do Pará, com foco principal no município de Óbidos, à época uma importante praça militar, estrategicamente situada às margens do Amazonas, onde o rio forma um estreito de apenas 1,5 km de largura, e de onde se pode controlar todo o tráfego fluvial para a Amazônia Ocidental.

Instigado pelo romance “Os Dias Recurvos”, de Ildefonso Guimarães, o historiador e jornalista Walter Pinto investigou a saga do coronel Pompa, que liderou a revolução constitucionalista em Óbidos e a estendeu no rumo oeste, até ter seus navios afundados pelas forças leais a Getúlio Vargas, já no Estado do Amazonas, quando se dirigia para tomar a cidade de Manaus.

Walter Pinto pesquisou profundamente o assunto em uma bela tese de mestrado onde narrou, com fartas provas documentais, os fatos registrados em Óbidos. Esse componente amazônico da história da revolução constitucionalista de 1932 está no livro de Walter, que sai em agosto deste ano pela editora Paka-Tatu.

Vale a pena esperar pela narrativa completa dessa saga, digna de um filme.

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