Fernando Henrique na ABL

fhc“Eu fui presidente da república e eu não queria que confundissem minha posição política e meu status de presidente com a minha qualidade de intelectual” – Fernando Henrique Cardoso

Assisti, consternado, a algumas manifestações nas redes sociais criticando a escolha de Fernando Henrique Cardoso para ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Só pude concluir que as críticas são fruto do desconhecimento acerca de um dos maiores intelectuais de nosso tempo.

É de se lamentar que o ex-presidente – autor e co-autor de 23 livros e mais de cem artigos acadêmicos –, um pensador brilhante e professor renomado, seja agredido justamente na qualidade humana que é fruto de intenso esforço e dedicação pessoal: a conquista intelectual.

E nesta época, em que tanto se valoriza os que lutaram contra a ditadura ou por ela foram exilados, não é tarde para lembrar que, em plena época do regime militar, quando precisou deixar o Brasil (como tantos outros intelectuais brasileiros), Fernando Henrique foi disputado pelas mais renomadas universidades europeias – o que demonstra de forma inequívoca sua competência acadêmica. Veja esse trecho emblemático, relembrado pelo próprio Fernando Henrique (clique nos links em negrito para saber mais):

Tinha 37 anos, vivido toda a experiência da CEPAL, e era professor na Universidade de Paris. Voltei, fiz concurso e ganhei a cátedra na USP. Sérgio Buarque de Holanda foi o grande garantidor desse processo, assim como Florestan Fernandes. Seis meses depois fui aposentado pelo AI-5. Recebi imediatamente convite do doyen de Nanterre, Paul Ricoeur (um dos maiores pensadores vivos da época)  para voltar à  França. Recebi também convite de Richard Morse, para ir para Yale. A decisão de ficar no Brasil e criar o CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) implicava criar as condições para pensar e resistir. Eu dizia naquela época que nossa situação era a dos mosteiros, nos piores momentos da Idade Média: a barbárie se espalha, é preciso preservar pequenos espaços de liberdade.

Minha sugestão, para os que não leram os livros de FCH sobre sociologia, ciência política e relações internacionais: que dediquem apenas algumas horas ao livro do qual retirei a frase acima. Chama-se “A Soma e o Resto – Um Olhar sobre a Vida aos 80 Anos”, no qual Miguel Darcy compilou o pensamento, memórias intimistas e opiniões de FHC. Vale a pena conhecer FHC por ele mesmo e não pelas lentes embaçadas dos que, movidos por interesses mesquinhos, desejam esmagar a reputação de um dos mais refinados intelectuais de nosso País.

Anúncios

Tags: , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: