O mensalão e o STF

caramujoReza a sabedoria popular e o bom senso que contra fatos não há argumentos. E, neste instante em que os embargos infringentes são o tema da semana e há possibilidade de haver um novo julgamento para 12 réus do mensalão, vale a pena lembrar algumas datas. O que essas datas revelam? Que, ao contrário do que se imagina, a Câmara agiu rapidamente no caso do mensalão e em menos de um ano puniu os envolvidos. Entretanto, as datas apontam, implacáveis, que é na instância judicial que está a demora para punir os responsáveis por um dos maiores escândalos de corrupção que se tem notícia na história recente do País.

Vamos aos fatos e datas.

O mensalão foi descoberto em maio de 2005, quando veio à tona a filmagem que mostrava o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos  Correios, Maurício Marinho, negociando propina com empresários. No dia 6 de junho, em meio ao escândalo dos Correios, o deputado federal Roberto Jefferson (PTB) traz à tona a existência de um outro esquema de corrupção que envolvia a compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional.

Apenas três dias depois, apesar da pressão contrária do governo, a CPMI dos Correios é instalada. No dia 12 de junho, Jefferson acusa integrantes do governo federal de conhecer o mensalão. Ele afirmava que a verba do esquema viria de empresas estatais e do setor privado. Citado por Jefferson como uma das pessoas que sabiam do esquema, José Dirceu renuncia ao cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Uma semana depois, exatamente no dia 20 de julho de 2005, o Congresso Nacional criou a CPI mista para apurar as denúncias de pagamento de recursos a membros do Congresso com finalidade de aprovar matérias do interesse do governo Lula.

No dia 14 de setembro, o plenário da Câmara aprovou a cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson por quebra de decoro parlamentar. E no dia 16 de novembro, a CPI do Mensalão foi concluída. Em 1º de dezembro, José Dirceu (PT) teve o mandato de deputado federal cassado por quebra de decoro parlamentar. Dirceu está inelegível até 2015. Saldo do ano: dos 19 deputados acusados no esquema, 12 foram absolvidos, quatro renunciaram e três foram cassados pela Câmara de Deputados — José Dirceu, Roberto Jefferson e Pedro Corrêa (PP-PE).

Vejamos, agora, a instância judicial.

Em 11 de abril de 2006, a Procuradoria Geral da República apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra 40 pessoas envolvidas no esquema do mensalão.

Mais de um ano depois, em 28 de agosto de 2007, o Supremo aceita a denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no mensalão. Desde então, cinco anos se passaram, gerando muita exposição na televisão e muitos discursos, mas quase nada de concreto.

E agora, toda essa gente já condenada na instância máxima do Judiciário, pode ter um novo julgamento?

É uma vergonha. Eu – como parlamentar que votei pela cassação dos mensaleiros – fico indignado.

Concluo que, justamente no Judiciário, houve muito barulho, muito salamaleque, muito holofote e pouca justiça. Que pena!

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