A mordaça no IBGE

censuraA quem interessa ocultar os dados do IBGE? Há alguma informação negativa da PNAD cuja divulgação afetará negativamente o governo da presidente Dilma? As perguntas são pertinentes diante da crise que se instalou no IBGE após a recente tentativa do governo de interferir no instituto e adiar a divulgação da PNAD para depois das eleições.

Tudo começou quando o IBGE anunciou, no dia 10 de abril, que suspenderá, até janeiro de 2015, a divulgação dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). O IBGE alegou que seria montada uma força-tarefa para aprimorar a metodologia de cálculo da renda domiciliar per capita, a fim de atender as exigências previstas na Lei Complementar nº 143/2013.

Com isso, foi cancelada a próxima divulgação da Pnad Contínua, que estava prevista para o dia 3 de junho.

O anúncio desencadeou uma crise. Servidores do IBGE se mostram inconformados. A diretora de Pesquisas, Marcia Quintslr, pediu exoneração do cargo, assim como a ex-coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, Denise Britz. Após a saída de Marcia e Denise, 18 coordenadores enviaram carta ao conselho diretor do IBGE ameaçando fazer uma entrega de cargos coletiva. Outros 45 técnicos ligados à pesquisa também divulgaram carta aberta em que negam a necessidade de suspender o cronograma de divulgações ou revisar a metodologia da Pnad.

De acordo com o IBGE, a suspensão foi motivada por questionamentos feitos por parlamentares governistas – os senadores  Armando Monteiro Neto (PTB-PE) e a ex-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) –, que questionaram a validade da divulgação.

A  PNAD é uma pesquisa importantíssima feita pelo  IBGE em todas as regiões do Brasil. Ela investiga diversas características socioeconômicas como população, educação, trabalho, rendimento, habitação, previdência social, migração, fecundidade, nupcialidade, saúde e nutrição, entre outras. A PNAD também é base para o cálculo do rateio do Fundo de Participações do Estados (FPE).

A pesquisa mede a saúde de diversos aspectos da sociedade brasileira. Se o governo não quer que os dados sejam divulgados, certamente é porque há péssimas notícias. Nesse caso, o governo agiu como o paciente que, notando que está com febre, decide quebrar o termômetro a fim de não saber a gravidade de sua doença.

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Uma resposta to “A mordaça no IBGE”

  1. Délio Barbosa Says:

    Realmente Deputado, fica notório a mordaça no IBGE, mas a preocupação do Governo não é à toa, tendo em vista a precária situação que passa a nossa população, com educação, trabalho, rendimento, habitação, previdência social, migração, fecundidade, nupcialidade, saúde e nutrição, entre outras.
    Esperamos que tudo isso mude o mais rápido possível.

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