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O estelionato do FIES

13/05/2015

pinnochio.banner.shutterstockOntem foi o capítulo final da novela do FIES. O MEC conseguiu cassar a liminar de um juiz federal de Mato Grosso, que dava aos alunos uma última esperança de conseguirem renovar o financiamento estudantil. Restou a todos a decepção, a perplexidade e uma pergunta: o que aconteceu com o FIES?

Basta examinar os números para descobrir a verdade. O fato é que o governo ampliou sem limites o número de bolsas do FIES em 2014, a fim de conseguir eleitores para a presidente Dilma Roussef, e depois não conseguiu sustentar a despesa.

Até 2014, o governo gastava por ano, em média, R$ 1,1 bilhão com o FIES. Em 2014, ano eleitoral, aumentou o gasto para R$ 13,7 bilhões! Eleita, a presidente se deu conta de que seria impossível manter esse padrão de gastos pelos anos seguintes. Veio a decisão de cortar, pois, de acordo com o atual ministro da Educação, Renato Janine, o MEC só tem R$ 2,5 bilhões para gastar com o FIES este ano. Sem coragem de assumir a gravidade dessa decisão, o governo tentou camuflar os cortes com medidas de ordenamento.

E foi assim que, de uma hora para outra, começaram a surgir novas regras e dificuldades para o acesso ao crédito. Primeiro o site do FIES ficou misteriosamente bloqueado. Estudantes não conseguiam renovar o financiamento. Depois de alguns dias, o governo explicou que o bloqueio valia apenas para as instituições que reajustaram as mensalidades acima de 4,5%. Houve reação e protestos. O governo voltou atrás e anunciou que seriam aceitos reajustes de até 6,4%. Mesmo assim, o site permaneceu bloqueado.

A página do FIES jamais voltou ao normal. O prazo findou e quase 180 mil  estudantes ficaram de fora das universidades. Ou endividados, já que vários recorreram a empréstimos bancários para pagar as mensalidades dos cursos já iniciados.

Minha definição sobre o que aconteceu? É simples: estelionato eleitoral. Esta deveria ser uma boa razão para impeachment, mas infelizmente essa condição não está prevista na nossa Constituição. Só resta, a quem foi enganado, não repetir o erro na próxima eleição.